José Ermírio de Moraes e sua relação com a história de Bertioga
José Ermírio de Moraes (1900–1973), engenheiro de minas, industrial e dirigente do Grupo Votorantim, teve papel fundamental no desenvolvimento de Bertioga. Sua ligação com a região começou na década de 1930, quando adquiriu uma propriedade de veraneio no Cantão do Indaiá, que no passado pertenceu ao poeta Vicente de Carvalho.
Seu interesse por Bertioga transformou-se em uma relação duradoura, marcada por investimentos em infraestrutura, iniciativas sociais e contribuições que ajudaram a transformar os destinos da região.
Entre suas principais contribuições destacam-se o financiamento da Estrada Guarujá–Bertioga, inaugurada em 1940, e sua participação nas iniciativas que viabilizaram a travessia por balsa, implantada em 1954. Essas duas realizações foram fundamentais para melhorar o acesso à região, estimular o turismo e impulsionar o desenvolvimento econômico de Bertioga e do litoral norte paulista.
Sua generosidade também se manifestou em importantes melhorias para a população. José Ermírio contribuiu para a extensão da rede de energia elétrica ao Indaiá, construiu e doou uma escola e uma capela no bairro e colaborou financeiramente para a construção da Igreja São João Batista, no centro de Bertioga.
Em 1937, assumiu a presidência do Conselho Deliberativo da Sociedade Amigos de Bertioga, entidade dedicada à assistência médica e social, ao saneamento e à preservação do patrimônio histórico. Na ocasião, realizou uma contribuição financeira à associação e comprometeu-se a continuar apoiando suas atividades.
José Ermírio de Moraes deixou um legado que ultrapassa as grandes obras de infraestrutura. Seu carinho por Bertioga traduziu-se em realizações concretas, que melhoraram a vida de seus moradores e contribuíram decisivamente para o progresso da região. Sua visão empreendedora, seu compromisso social e sua generosidade asseguram-lhe um lugar de destaque entre os grandes personagens da história de Bertioga.
Em fotografia original do ano de 1940 (aproximadamente), na areia da praia do Cantão do Indaiá, da esquerda para a direita, José Rodrigues, proprietário do Bar e Padaria São João da Barra; José Ermírio de Moraes; um amigo do empresário; e João Sabino Abdalla, em frente à propriedade de José Ermírio, no Indaiá. O grupo está ao lado do caminhão Chevrolet, fabricado em 1929, modelo popularmente conhecido como “Cabeça de Cavalo”, de propriedade de João Sabino Abdalla, que havia conduzido o amigo José Ermírio até o Indaiá, após seu desembarque de lancha na ponte de atracação da Vila de Bertioga. Até o momento, esta é a única imagem pública de José Ermírio de Moraes em Bertioga. Acervo pessoal de Jamilson Lisboa Sabino.
Formação e currículo profissional
José Ermírio de Moraes nasceu em Nazaré da Mata, Pernambuco, em 21 de janeiro de 1900, filho de Ermírio Barroso de Moraes e Francisca Pessoa de Albuquerque Moraes. Proveniente de uma família ligada à atividade açucareira pernambucana, realizou os primeiros estudos em Pernambuco.
Entre 1916 e 1921, estudou nos Estados Unidos, primeiro na Universidade Baylor e depois na Colorado School of Mines, em Golden, Colorado, onde se formou engenheiro de minas em 1921. Nas férias, trabalhou na Empire Zinc Mines, em Gilman, e na Golden Cycle Mills, em Colorado Springs.
De volta ao Brasil, José Ermírio trabalhou, entre 1922 e 1923, como engenheiro de minas na Saint John del Rey Mining Company, em Minas Gerais.
Segundo a cronologia organizada por Maria Aparecida de Paula Rago, no livro José Ermírio de Moraes: a trajetória de um empresário nacional, ele já estava em São Paulo no final de 1924, exercendo a função de superintendente da Votorantim, pouco depois da Revolução Paulista de julho daquele ano.
Em março de 1928, aos 28 anos, participou da fundação do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), como segundo tesoureiro da primeira diretoria, presidida por Francisco Matarazzo, com Roberto Simonsen na vice-presidência.
Presidiu o Sindicato Têxtil de São Paulo, a Bolsa de Mercadorias de São Paulo e o Sindicato da Indústria de Produtos Químicos. Foi diretor e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e integrou a direção da Associação Brasileira de Cimento Portland. Presidiu também a Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência de São Paulo. Esses cargos constam de seu currículo encaminhado ao Senado Federal em 1961, ano em que assumiu a presidência da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
Em 1933, tornou-se superintendente do setor têxtil da Votorantim. Em 1936, a empresa inaugurou sua fábrica de cimento e transferiu os escritórios para edifício próprio na Rua XV de Novembro, em São Paulo. Em 1940, inaugurou a Companhia Nitro Química, em São Miguel Paulista.
José Ermírio também esteve ligado à Siderúrgica Barra Mansa e à Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), inaugurada em 1951, em Rodovalho, São Paulo. A produção de alumínio exigiu investimentos em geração hidrelétrica própria, em razão das dificuldades de fornecimento pela Light. A Memória Votorantim o identifica como diretor executivo das Indústrias Votorantim no processo de criação da Nitro Química.
Em 1962, candidatou-se ao Senado pelo Estado de Pernambuco. Filiado ao Partido Trabalhista Nacional (PTN), em coligação com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), foi eleito com 329.789 votos. Exerceu o mandato de 1963 a 1971. Foi ministro da Agricultura no governo de João Goulart, de janeiro a junho de 1963, e depois retomou as atividades parlamentares. No Senado, tratou de agricultura, mineração, petróleo, desenvolvimento econômico, crédito, juros, industrialização e atuação de empresas estrangeiras, com discursos e trabalhos publicados pela instituição.
José Ermírio faleceu em São Paulo, em 9 de agosto de 1973, aos 73 anos. Havia encerrado seu mandato no Senado em 1971 e retornado às atividades empresariais.
Família e Antônio Pereira Ignácio
A Fiação e Tecelagem Votorantim havia sido inaugurada em outubro de 1904, sob administração do Banco União. Após a falência do banco, em 1917, Antônio Pereira Ignácio e Francisco Scarpa arremataram, em 1918, parte do patrimônio, incluindo a fábrica. Pereira Ignácio tornou-se posteriormente sócio majoritário da Votorantim.
Em Valmont, na Suíça, José Ermírio de Moraes conheceu Helena Pereira Ignácio, filha do industrial português Antônio Pereira Ignácio. Segundo João de Scantimburgo, no livro José Ermírio de Moraes, o homem – a obra, Helena, que planejara passar poucos dias na estação climática, permaneceu um mês. Nesse período, José Ermírio conviveu com a família e conversou longamente com Antônio Pereira Ignácio. O industrial, que enfrentava dificuldades financeiras na Votorantim, interessou-se pela formação técnica do engenheiro, então com 24 anos, e convidou-o a trabalhar na empresa.
Em 18 de maio de 1925, José Ermírio casou-se com Helena Pereira Ignácio.
José Ermírio e Helena tiveram quatro filhos: José Ermírio de Moraes Filho, Antônio Ermírio de Moraes, Ermírio Pereira de Moraes e Maria Helena de Moraes, posteriormente Maria Helena Moraes Scripilliti. Seus descendentes também participaram da administração dos negócios familiares.
Antônio Pereira Ignácio, industrial português e fundador do grupo empresarial que consolidou a Votorantim, adquiriu com Francisco Scarpa parte do patrimônio da antiga empresa em 1918. Sua atuação foi decisiva para a expansão do grupo e para o ingresso de José Ermírio em sua administração.
Casa de veraneio no Cantão do Indaiá
Na década de 1930, José Ermírio adquiriu uma propriedade no Cantão do Indaiá, em Bertioga, que no passado pertenceu ao poeta Vicente de Carvalho. O imóvel passou a servir como residência de lazer da família. Gonçalves Laurino dos Santos e sua esposa, Maria do Carmo dos Santos, conhecida como Dona Carminha, ambos nascidos em Bertioga, residiram e trabalharam na propriedade como caseiros. Dona Carminha permaneceu ligada à família por mais de seis décadas.
Segundo Dona Carminha, em entrevista ao jornal Costa Norte, quando José Ermírio adquiriu o imóvel havia uma casa de madeira. Posteriormente, construiu-se uma residência de alvenaria com quatro quartos, utilizada nos fins de semana, e, mais tarde, a casa maior. Gonçalves Laurino participou da construção dessa última residência.
Na convivência com a família Moraes, Maria do Carmo recebeu os apelidos Carminha, Carmen, Carmosa e Carmelita. Segundo seu relato, Regininha a chamava de “Carmosa”; outro integrante da família usava “Carmelita”. Ela recordava sua amizade com Antônio Ermírio de Moraes, da mesma idade, e com Regina, que a convidava para conversar quando visitava o sítio.
Também em entrevista ao jornal Costa Norte, Zico, filho de Gonçalves e Carminha, relatou que cresceu ao lado dos descendentes da família Ermírio de Moraes e, desde a adolescência, conviveu com os filhos de Antônio Ermírio, especialmente os mais velhos, “como irmãos”. Márcia, outra filha do casal, recordava-se de jogar tênis com Antônio Ermírio. Aos 11 anos, Zico recebeu da família Moraes uma bolsa para cursar o ginásio em Santos. Depois fez o científico, cursinho e ingressou no curso de engenharia, retornando ao Indaiá nos fins de semana.
Dona Carminha também preservou importantes lembranças das transformações da propriedade. Segundo seu relato, quando José Ermírio adquiriu o imóvel havia ali uma casa de madeira. Mais tarde foi construída uma residência de alvenaria, com quatro quartos, utilizada pela família nos fins de semana e, posteriormente, ergueu-se a grande casa que passou a dominar a propriedade. Gonçalves Laurino participou pessoalmente dos trabalhos de construção dessa nova residência.
A presença de José Ermírio em Bertioga rapidamente ultrapassou os limites de sua propriedade particular. O empresário passou a participar ativamente de movimentos destinados a melhorar as condições de vida da população, preservar o patrimônio histórico e tornar a antiga Vila mais conhecida entre os moradores da capital paulista.
José Ermírio de Moraes e Jânio Quadros
A presença de Jânio Quadros na casa de José Ermírio de Moraes ficou na memória cultural da população antiga de Bertioga.
Jânio da Silva Quadros nasceu em 1917 e faleceu em 1992. Foi advogado e político brasileiro, Prefeito de São Paulo (1953–1955 e 1986–1988), Governador Paulista (1955–1959) e Presidente da República em 1961. Eleito presidente com expressiva votação popular, renunciou em 25 de agosto de 1961, após apenas sete meses de governo.
José Ermírio de Moraes manteve relações pessoais e políticas com Jânio Quadros, a quem apoiou durante sua trajetória rumo à Presidência da República. Essa proximidade levou Jânio a frequentar a propriedade do empresário no Indaiá, em Bertioga.
Após vencer a eleição presidencial de 3 de outubro de 1960, Jânio passou alguns dias na residência de José Ermírio. Em 7 de outubro, transmitiu de Bertioga uma mensagem de agradecimento ao povo brasileiro, por intermédio da Rádio Nacional, da Organização Victor Costa. Durante sua permanência, recebeu a visita do governador paulista Carvalho Pinto.
Maria do Carmo Quirino, conhecida como Carminha, que conviveu com a família de José Ermírio no Indaiá, recordou em depoimento ao jornal Costa Norte que a apuração da eleição presidencial foi acompanhada na propriedade com o auxílio de um gerador de energia elétrica.
Em 10 de fevereiro de 1961, já como presidente da República, Jânio retornou a Bertioga, chegando de helicóptero à propriedade de José Ermírio. Em maio daquele ano, indicou o empresário para o cargo de embaixador do Brasil na Alemanha Ocidental, com sede em Bonn. A indicação, embora aprovada pela Comissão de Relações Exteriores, foi rejeitada pelo Senado Federal.
A proximidade política entre ambos, entretanto, não perdurou. Segundo depoimento do empresário Fernando Gasparian, José Ermírio, que inicialmente apoiara Jânio Quadros, afastou-se politicamente do presidente em razão de divergências com suas posições. Posteriormente, José Ermírio seguiu trajetória política própria, elegendo-se senador por Pernambuco em 1962 e assumindo o Ministério da Agricultura no governo João Goulart, em 1963.
José Ermírio de Moraes e a Sociedade Amigos de Bertioga
A Sociedade Amigos de Bertioga foi fundada em 1937, por iniciativa do médico Francisco Quartim Barbosa, com o objetivo de promover assistência médica e social, combater doenças, melhorar as condições sanitárias, divulgar a Vila e preservar seus monumentos históricos, especialmente os fortes São João e São Luís, as ruínas da Armação das Baleias e a Ermida de Santo Antônio do Guaíbe. Seus estatutos foram aprovados em 15 de novembro de 1937. A entidade tinha sede na Praça da Sé, nº 83, sala 7, em São Paulo, e adotava o lema “Sanidade, Solidariedade e Brasilidade”.
Francisco Quartim Barbosa presidia a associação, enquanto José Ermírio de Moraes ocupava a presidência do Conselho Deliberativo, integrado também por Antônio Martins Teixeira, Tito Lívio Ferreira e José Masano.
Segundo O Estado de S. Paulo, de 21 de novembro de 1937, José Ermírio contribuiu financeiramente para a associação e comprometeu-se a apoiar a restauração dos monumentos, o saneamento das praias e a assistência social. Pretendia ainda instalar uma biblioteca dedicada a Vicente de Carvalho na antiga propriedade do poeta, no Indaiá, aberta à visitação pública.
A Sociedade instalou um posto médico e ambulatório provisório em uma casa próxima ao Forte São João, cedida por Gabriel Fernandes Garcez. O médico Othon Feliciano da Silva prestava atendimento gratuito aos moradores. Em 15 de novembro de 1937, sob a responsabilidade de Francisco Quartim Barbosa, foram atendidas mais de cinquenta pessoas, com distribuição de medicamentos contra o amarelão e o impaludismo. A entidade também planejava uma colônia de férias gratuita para crianças debilitadas e atividades educativas com escoteiros.
Para divulgar Bertioga, organizava excursões e passeios, inclusive com transporte marítimo a partir de Santos, facilitando a visita de moradores da capital paulista.
Em janeiro de 1938, a Sociedade inaugurou oficialmente seus serviços de assistência social e proteção ao patrimônio histórico, em cerimônia realizada junto ao Forte São João, com missa campal e sessão cívico-histórica, reunindo autoridades, moradores e visitantes de São Paulo, Santos e Cubatão.
Apoio à Igreja Católica
Em 1939, José Ermírio de Moraes foi o principal apoiador financeiro para a construção do primeiro prédio da Igreja São João Batista, no centro de Bertioga, que ao longo das décadas passou por diversas reformas e ampliações, foi demolida e reconstruída.
Em 1957, construiu e doou a Capela do Indaiá, juntamente com o terreno, sem despesas para o poder público ou para os moradores. A Câmara Municipal de Santos o congratulou pela iniciativa, e o empresário agradeceu a homenagem por carta.
Estrada Guarujá–Bertioga
José Ermírio de Moraes teve participação decisiva na construção da Estrada Guarujá–Bertioga. A primeira etapa, entre o Perequê e a Cachoeira, foi executada pela Prefeitura Sanitária do Guarujá, sob a administração de Oscar Sampaio, e inaugurada em 20 de janeiro de 1939, com a presença do interventor federal Adhemar de Barros. Na ocasião, os automóveis chegaram somente à Cachoeira, de onde a comitiva prosseguiu de lancha até Bertioga. José Ermírio recebeu os visitantes em sua propriedade no Indaiá, antiga residência do poeta Vicente de Carvalho, onde ofereceu um almoço.
Em 1940, José Ermírio financiou a construção do trecho final, entre a Cachoeira e a Barra de Bertioga, com a colaboração técnica da Prefeitura do Guarujá. Sob a direção de Gabriel Bento de Oliveira Filho, foram construídos 8.800 metros de estrada e 28 pontes, em apenas quatro meses, através do terreno acidentado da Serra do Guararu. Em 4 de outubro de 1940, um caminhão conduzido por Salim Chaddad demonstrou que a nova ligação já permitia o tráfego de veículos.
A inauguração oficial ocorreu em 25 de novembro de 1940, quando uma caravana de automóveis percorreu a estrada até a margem do Canal de Bertioga. Os participantes atravessaram o canal em embarcações e foram recebidos para um almoço no Hotel Lido, oferecido pela Sociedade Urbanística da Bertioga. José Ermírio, ausente da solenidade, foi representado na cerimônia e recebeu homenagens por sua contribuição.
A estrada rompeu o isolamento rodoviário da região e facilitou o transporte de pessoas e mercadorias, o acesso às praias e o desenvolvimento de Bertioga. A partir de 1940, tornou-se possível chegar de automóvel até a margem do canal, embora a travessia para a Vila ainda dependesse de embarcações. A ligação para veículos seria completada com a implantação do serviço de balsas, em 1954.
Travessia por balsa
A estrada terminava na margem do Canal de Bertioga. A travessia regular por balsa entre Guarujá e Bertioga foi inaugurada em 10 de dezembro de 1954, durante o governo de Lucas Nogueira Garcez. Há referência à participação de José Ermírio de Moraes, de Brasílio Machado Neto, deputado federal por São Paulo de 1951 a 1955, e do Prefeito de Santos Antônio Feliciano da Silva nas iniciativas para sua implantação.
Eletrificação do Indaiá
José Ermírio providenciou a instalação de postes e a extensão de uma rede de energia elétrica de Cubatão até sua propriedade no Cantão do Indaiá, segundo reportagem de Mayumi Kitamura publicada no Costa Norte em 26 de fevereiro de 2019. Inicialmente, a rede abastecia a residência da família, acompanhando a faixa de praia; posteriormente, o fornecimento alcançou outros moradores do bairro. Maria do Carmo dos Santos, Dona Carminha, relatou que, antes da rede, a casa utilizava um gerador operado por Gonçalves Laurino. A reportagem não estabelece a data exata da eletrificação.
Apoio ao ensino
José Ermírio de Moraes contribuiu para a educação em Bertioga com a construção de uma escola no bairro do Indaiá, destinada ao ensino primário das crianças da comunidade. Em 1957, a Câmara Municipal de Santos aprovou uma homenagem ao empresário pela doação do terreno e pela construção da escola e de uma capela, realizadas integralmente com recursos próprios, sem despesas para o poder público ou para a população. José Ermírio agradeceu a homenagem por meio de uma carta encaminhada à Câmara Municipal.
A escola, posteriormente denominada Escola Estadual Archimedes Bava, atendia alunos até a quarta série do ensino primário, conforme depoimentos publicados pelo jornal Costa Norte, em 2019, na reportagem “As muitas Carmens, todas queridas”.
Liga das Senhoras Católicas
Em 1941, foi inaugurada em Bertioga a Colônia de Férias Dona Helena Pereira de Moraes, vinculada às iniciativas assistenciais da Liga das Senhoras Católicas de São Paulo. A instituição destinava-se principalmente ao descanso de jovens trabalhadoras de poucos recursos.
Atividades imobiliárias
Em 27 de setembro de 1946, escritura lavrada no 7º Tabelionato de Notas da Capital transformou a Sociedade Territorial e Agrícola Praia de São Lourenço Ltda. em sociedade anônima, denominada Praias Paulistas S.A. O ato foi registrado na Junta Comercial em 29 de outubro de 1946. José Ermírio integrava o Conselho Consultivo e era o seu principal membro. A empresa implantou o loteamento Jardim Indaiá entre as décadas de 1940 e 1960. Em 8 de novembro de 1979, após a morte de José Ermírio, o mesmo grupo econômico constituiu a Companhia Fazenda Acaraú. As duas empresas tornaram-se coproprietárias da gleba do loteamento Riviera de São Lourenço.
José Ermírio de Moraes, com 24 anos, em 1924. Fotografia publicada no livro José Ermírio de Moraes, o homem – a obra, de João de Scantimburgo.
Dia 18 de maio de 1925. No dia do casamento, vemos, da esquerda para direita, Dona Lucinda Pereira Ignácio, o casal José Ermínio de Morais e Helena e Antonio Pereira Ignácio.
Helena Pereira de Moraes e José Ermírio de Moraes, em foto de 1950.
Palacete de Antônio Pereira Ignácio, na antiga Avenida Paulista nº 7, correspondente ao atual nº 2.584. Antes de se tornar residência da família Pereira Ignácio, o imóvel abrigou, desde 1915, o Gymnasio Lusitano, que deixou o local no final de 1917, quando a família passou a ocupá-lo. O casarão permaneceu no local até aproximadamente 1940, sendo demolido para dar lugar ao Edifício Anchieta, construído a partir de 1941.
José Ermírio de Moraes e os filhos Antônio Ermírio, Maria Helena e José Ermírio Filho, em 1934. Fotografia publicada no livro José Ermírio de Moraes, o homem – a obra, de João de Scantimburgo.
José Ermírio de Moraes reunido com a família em São Paulo no final da década de 1940. Foto divulgada pelo Grupo Votorantim. Porém, embora a legenda atribua a ele o cargo de Senador, ele somente viria a ser eleito em 1962 para um mandato de oito anos, quando o sogro e fundador do Grupo Votorantim, Antônio Pereira Ignácio, que aparece na foto acima, já tinha falecido (1951).
Foto de José Ermírio de Moraes, de 1947, publicada no livro José Ermírio de Moraes: a trajetória de um empresário nacional, de autoria de Maria Aparecida de Paula Rago. Coleção São Paulo no Bolso. São Paulo: Editora Paz e Terra.
Antônio Pereira Ignácio e sua esposa, Minervina Pereira Ignácio, pais de Helena Pereira Ignácio, que se casou com José Ermírio de Moraes. Atrás estão os filhos José Ermírio Filho, Maria Helena e Antônio Ermírio. Bodas de prata de 20 de maio de 1950. Fotografia publicada no livro José Ermírio de Moraes, o homem – a obra, de João de Scantimburgo.
José Ermírio de Moraes com a esposa Helena Pereira de Moraes (no centro da imagem) e os filhos Antônio, José Ermírio Filho e Maria Helena. Fotografia publicada no livro José Ermírio de Moraes, o homem – a obra, de João de Scantimburgo.
José Ermírio de Moraes e o presidente da República, Juscelino Kubitschek, durante encontro realizado em Osasco, São Paulo, em 1959. Fotografia publicada no livro José Ermírio de Moraes, o homem – a obra, de João de Scantimburgo.
José Ermírio de Moraes em 1970. Foto do acervo do Arquivo Nacional. Ele foi Senador da República, eleito pelo Estado de Pernambuco, de 1963 a 1971.
Foto de 1945 da praia do Cantão do Indaiá. Acervo de Jamilson Lisboa Sabino.
Foto de 1945, da casa de praia construída por Vicente de Carvalho e, agora, de propriedade de José Ermírio de Moraes. Acervo de Jamilson Lisboa Sabino.