História de Bertioga parte 4

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp

A Vila de Bertioga - 1950

A década de 1950 é marcada na Vila de Bertioga pelo início do serviço de travessia de balsas, o que permitiu que veículos automotores cruzassem o Canal de Bertioga. Os condutores desses veículos traziam suas famílias, bagagens e até animais domésticos. A chegada à Bertioga ficava mais simples e, consequentemente, atraiu mais visitantes e novos moradores. O comércio também foi beneficiado, tornando-se possível o transporte de mercadorias pela estrada, vinda diretamente de Santos ou de São Paulo.

As fotos da década de 1940 e as fotos da década de 1950 revelam uma profunda mudança na estética das edificações da Vila de Bertioga. As casas e os estabelecimentos comerciais deixam de ter suas paredes emboloradas pela ação da umidade e do tempo, e passam a ser pintadas e permanentemente cuidadas e embelezadas. Mas as casas ainda continuaram iluminadas pelos lampiões, pois a energia elétrica somente viria na próxima década, obstáculo a ser vencido para o desenvolvimento social e econômico de Bertioga.

Casa de Orestes do Amparo, filho de Sebastião Alexandre do Amparo

Fundos da casa de Orestes do Amparo, filho de Sebastião Alexandre do Amparo

Avenida Vicente de Carvalho, entre a Avenida Anchieta e a antiga escola – terras de João Sabino Abdalla – 1955

Avenida Vicente de Carvalho, entre a Avenida Anchieta e a antiga escola – terras de João Sabino Abdalla – 1955

Avenida Vicente de Carvalho – A Viga-Mestra – A venda de João Sabino Abdalla – O alojamento da “Santense” – 1955

Em 1959, João Sabino Abdalla em frente a “venda”, de camisa branca, e ao lado Antônio Luiz Lanari do Val, um dos donos das terras de Guaratuba, que deram origem aos condomínios, loteamentos e outros empreendimentos imobiliários que muito contribuíram no desenvolvimento da cidade.

Avenida Vicente de Carvalho – O alojamento da “Santense” e a “venda” de Epiphânio Batista (Faninho) – 1955

Avenida Vicente de Carvalho – A “venda” de Elias Nehme – 1955

Avenida Vicente de Carvalho – A “venda” de Elias Nehme e a “venda” de Miguel Bichir – No canteiro central, o eucalipto “anão” – 1955

Avenida Vicente de Carvalho – A “venda” de Miguel Bichir – O açougue de Orivaldo Camargo – A casa de Cândida Valentina dos Santos (Dona Candinha) – 1955

Casa de Dona Candinha, mãe de João Rosendo (um dos fundadores do Bertioga Futebol Clube), avó de Pinguim (servidor público de Santos). Foto da década de 1950.

Casa de Epiphânio Batista (Faninho), em foto da década de 1950.

Avenida Vicente de Carvalho – A residência da família Batista – 1955

Propriedade de Mário Tancredo (década de 1950)

Casa residencial de Mário Tancredo (década de 1950)

Casa de Rosendo Vicente dos Santos (década de 1950). Ele era casado com Maria Antonia de Jesus. São seus filhos: Manoel, Alzira e Hilda.

Casa de Antônio Lourenço do Rosario

Terras de Izidro Jorge, ao lado do campo do Bertioga Futebol Clube (década de 1950)

Avenida Vicente de Carvalho – A residência de Afonso Paulino, com suas grandes janelas, e, ao lado direito, a Padaria São João da Barra – 1955

Rua Domingos Pires, esquina com a Praça Armando Lichti – 1955

Rua Domingos Pires, sentido Rua Júlio Prestes – 1955

Rua Júlio Prestes, no centro de Bertioga, em foto de 1951: a Igreja São João Batista, erguida no início da década de 1940.

Forte São João. Plataforma de armas. 1952. Foto publicada em “Mapas Fotográficos: memória familiar, sociabilidade e transformações urbanas em São Paulo”, de Alexandre Araujo Bispo. Tese. Dissertação Universidade de São Paulo – USP.

Forte São João. 1952. Foto publicada em “Mapas Fotográficos: memória familiar, sociabilidade e transformações urbanas em São Paulo”, de Alexandre Araujo Bispo. Tese. Dissertação Universidade de São Paulo – USP.

Rua Júlio Prestes, em 1952, durante uma comemoração de carnaval. Do lado esquerdo da imagem é o “Bar, Restaurante e Armazém Mar e Terra”, de Elias Nehme. Foto publicada em “Mapas Fotográficos: memória familiar, sociabilidade e transformações urbanas em São Paulo”, de Alexandre Araujo Bispo. Tese. Dissertação Universidade de São Paulo – USP.

Foto registrada em 1952, a partir da lancha da Santense, partindo da ponte. Foto publicada em “Mapas Fotográficos: memória familiar, sociabilidade e transformações urbanas em São Paulo”, de Alexandre Araujo Bispo. Tese. Dissertação Universidade de São Paulo – USP.

“Ruínas de Bertioga” é um documentário filmado em 1950, produzido, dirigido e narrado por Alceu Maynard Araújo. O roteiro é de Adhemar Chaves, da Sociedade Geográfica Brasileira. É um curta-metragem com sete minutos de duração que tem como roteiro a partida de São Paulo pela Rodovia Anchieta, passando pela estação das lanchas da Santense no cais do Paquetá, em Santos, até chegar em Bertioga, onde são destacados os cenários que compunham o trecho compreendido entre o Forte São João e a ponte de atracação. O que teve grande destaque e foi motivo de alerta foi a necessidade de restauração do patrimônio histórico de Bertioga: o Forte São Luís, a Ermida de Santo Antônio do Guaíbe e a Armação das Baleis. Alertava que um dos patrimônios de Bertioga foi destruído por uma ressaca de 1926. Estava se referindo ao campo santo (cemitério), que possuía a Capela de São Joao Batista e que em 1950 não existia mais, nem as ruínas, porque no lugar estava a Escola Isolada Vicente de Carvalho. Já o Forte São João estava recentemente restaurado (1942), mas não tinha a conservação necessária e apenas oito anos depois já estava em parcial estado de abandono.

Alceu Maynard Araújo nasceu em Piracicaba em 1913 e faleceu em 1974. Foi escritor e estudioso do folclore brasileiro. Foi professor da “Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da Universidade de São Paulo” (USP) e da “Universidade Presbiteriana Mackenzie”. Produtor, editor e narrador do documentário “Ruínas de Bertioga”, filmado em 1950.

Em 1964, foi eleito para a Academia Paulista de Letras.

A rodovia Anchieta foi inaugurada em 1947 e isso contribuiu para impulsionar o turismo no litoral paulista. O documentário “Ruínas de Bertioga”, apresenta vários trechos com as pistas e túneis recém-inaugurados, na viagem em direção à Bertioga em 1950. Foto da Rodovia Anchieta da época da inauguração.

A rodovia Anchieta foi inaugurada em 1947 e isso contribuiu para impulsionar o turismo no litoral paulista. O documentário “Ruínas de Bertioga”, apresenta vários trechos com as pistas e túneis recém-inaugurados, na viagem em direção à Bertioga em 1950. Foto extraída por Jamilson Lisboa Sabino a partir do filme “Ruínas de Bertioga”. Imagem arquivada na Cinemateca brasileira e cedida para “História de Bertioga”.

O Forte São João em 1950. Foto extraída por Jamilson Lisboa Sabino a partir do filme “Ruínas de Bertioga”. Imagem arquivada na Cinemateca brasileira e cedida para “História de Bertioga”.

Margens do Canal de Bertioga, ainda sem o cais em 1950, na altura da Rua Irmãos Braga. A ponte de atracação das lanchas da Santense ao fundo da imagem. Foto extraída por Jamilson Lisboa Sabino a partir do filme “Ruínas de Bertioga”. Imagem arquivada na Cinemateca brasileira e cedida para “História de Bertioga”.

Margens do Canal de Bertioga, sem o cais em 1950, na altura da Rua Júlio Prestes e ao lado da ponte de atracação. Forma-se uma prainha. Foto extraída por Jamilson Lisboa Sabino a partir do filme “Ruínas de Bertioga”. Imagem arquivada na Cinemateca brasileira e cedida para “História de Bertioga”.

Margens do Canal de Bertioga, sem o cais em 1950, em frente o Parque dos Tupiniquins. É possível visualizar algumas canoas e mais ao fundo os ranchos de pesca (cabanas). Foto extraída por Jamilson Lisboa Sabino a partir do filme “Ruínas de Bertioga”. Imagem arquivada na Cinemateca brasileira e cedida para “História de Bertioga”.

A ponte de atracação e uma das lanchas da Santense na sua extremidade. Há um barco, possivelmente de passeio, atracado lateralmente. Foto extraída por Jamilson Lisboa Sabino a partir do filme “Ruínas de Bertioga” (1950). Imagem arquivada na Cinemateca brasileira e cedida para “História de Bertioga”.

Isaac de Oliveira é nomeado Subprefeito - 1951

Isaac de Oliveira assume como Subprefeito do Distrito de Bertioga em 1951. Era funcionário público da Prefeitura de Santos. Isaac de Oliveira também foi Vereador de Santos. Permaneceu no cargo de Subprefeito até a sua substituição por Silvio Rodrigues em 1953.

Isaac de Oliveira nasceu em 1908 e faleceu aos 87 anos no dia 26 de julho de 1995 em Santos. Era filho de Alfredo Alves de Oliveira e Eulalia Celestina da Costa. São seus filhos: Marco Antonio, Luiz Carlos e Yara de Oliveira.

Sylvio Rodrigues é nomeado Subprefeito - 1953

Sylvio Rodrigues foi uma das mais importantes autoridades da Administração Pública da Vila de Bertioga, então distrito do Município de Santos. Nomeado Subprefeito pelo Prefeito de Santos, Antonio Ezequiel Feliciano da Silva, uma das mais destacadas lideranças políticas da história santista, exerceu uma administração marcada por importantes realizações. Durante sua gestão, promoveu a manutenção do sistema viário, implantou o serviço de abastecimento de água da Vila de Bertioga, entregou a primeira praça pública e o primeiro sistema de iluminação pública, além de atuar decisivamente para a expansão da energia elétrica domiciliar. Também contribuiu para a melhoria do acesso ao sistema de balsas, tanto pela Avenida Vicente de Carvalho quanto pela Rodovia Guarujá–Bertioga. Sua administração representou um marco no processo de desenvolvimento urbano e de modernização da então Vila de Bertioga.

Sylvio Rodrigues, em foto de 1952, do documento de identidade do “Registro de Funcionário” da Prefeitura de Santos. Foto original cordialmente cedida por Sandra Lia, filha de Sylvio Rodrigues e foto recuperada usando IA.

Servidor público da Prefeitura Municipal de Santos, ocupante do cargo de Desenhista Projetista, era filho de José Maria Rodrigues e Martina Rodrigues.

Sylvio Rodrigues foi nomeado Subprefeito de Bertioga pelo Prefeito de Santos, Antônio Ezequiel Feliciano da Silva, através da Portaria nº 137, de 8 de maio de 1953, em substituição a Isaac de Oliveira. A nomeação foi publicada oficialmente no dia seguinte.

A posse ocorreu no próprio dia 9 de maio de 1953, no Salão Nobre da Prefeitura Municipal de Santos. Presidida pelo Prefeito Antônio Feliciano, a solenidade transcorreu de forma simples, mas contou com a presença de numerosas pessoas, entre elas diversos moradores de Bertioga. Segundo a imprensa da época, Sylvio Rodrigues era pessoa de grande estima na comunidade bertioguense. Em breve pronunciamento, comprometeu-se a trabalhar em favor de Bertioga, então descrita como um belo recanto do litoral que necessitava de maior atenção e amparo do poder público. Ao final da cerimônia, assinou o termo de posse e assumiu oficialmente a administração da Subprefeitura.

Jornal A Tribuna de Santos do dia 9 de maio de 1953. Publicação da Portaria nº 137, de exoneração de Isaac de Olivira e nomeação de Sylvio Rodrigues. Existem diversas notícias da época da imprensa local, porém, esse é o único documento oficial que encontramos que prova que Sylvio Rodrigues foi Subprefeito de Bertioga. Consultamos o jornal original presencialmente na Hemeroteca da Prefeitura de Santos.

Dia 9 de maio de 1953, Sylvio Rodrigues é fotografado no momento da assinatura do livro de posse. O Prefeito de Santos, Antônio Feliciano, está ao lado segurando um documento. 

Antônio Ezequiel Feliciano da Silva, foi renomado advogado criminalista e teve importante atuação política na autonomia administrativa de Santos. Foi eleito pelo voto popular Prefeito de Santos, cargo que ocupou de 14 de abril de 1953 à 14 de abril de 1957.

Sua nomeação foi destacada pela imprensa como uma das primeiras medidas adotadas pelo novo Prefeito de Santos. Em matéria intitulada “Nova Administração”, publicada pelo jornal A Tribuna, registrou-se que Antônio Feliciano não havia se descuidado de Bertioga ao assumir o governo municipal, escolhendo para o cargo de Subprefeito um jovem entusiasta e profundamente identificado com o então distrito santista. A reportagem também ressaltou que, apesar da política de contenção de despesas implantada pela Prefeitura de Santos, a administração de Bertioga não seria relegada a segundo plano, possibilitando o início de um amplo programa de melhoramentos públicos.

A administração de Sylvio Rodrigues foi marcada pela aceleração de diversas obras de interesse público. Entre as primeiras iniciativas figurava a construção de um parque infantil em frente ao Grupo Escolar local. Para viabilizar a obra, o Diretor de Obras da Prefeitura Municipal de Santos, Dr. Hugo de Oliveira, reuniu-se com o Subprefeito, sendo anunciado que os trabalhos seriam iniciados ainda naquela semana.

Entre as principais realizações de sua administração destaca-se o alargamento da atual Avenida Vicente de Carvalho. O projeto havia sido elaborado em 1942 pelo engenheiro Carlos Lang, antes mesmo de a via receber essa denominação, mas sua execução somente ocorreu entre os anos de 1953 e 1954, sob a administração de Sylvio Rodrigues, resultando na abertura de amplas vias de terra e na implantação de um expressivo canteiro central.

Em 21 de agosto de 1954 foi inaugurada a primeira praça pública de Bertioga, denominada Praça Armando Lichti. O local tornou-se também o primeiro logradouro público dotado de iluminação, provavelmente alimentada por um gerador movido a querosene que fornecia energia para um poste equipado com um “vaso luminoso”, conforme registraram os relatos da época.

Sylvio Rodrigues também desempenhou importante papel na luta pela implantação do serviço de energia elétrica em Bertioga. Em entrevistas concedidas à imprensa, sustentava que, se a Colônia de Férias do SESC já dispunha de fornecimento de energia, a população local igualmente deveria ser contemplada com esse benefício. Para tanto, realizou diversas reuniões e apresentou sucessivos requerimentos às autoridades competentes. Embora a energia elétrica domiciliar somente viesse a ser implantada em 1965, sua atuação foi decisiva para manter a reivindicação em pauta.

Em 10 de dezembro de 1954 participou da inauguração do serviço de balsas entre Guarujá e Bertioga, implantado pelo Governo do Estado de São Paulo. Coube, entretanto, à Subprefeitura de Bertioga preparar o acesso ao sistema de embarque, localizado em frente às avenidas Vicente de Carvalho e Anchieta. Para isso, foram executados serviços de aterramento e nivelamento do terreno destinados à implantação da rampa de embarque e do flutuante.

Outro importante desafio enfrentado por sua administração foi o abastecimento de água potável. A escassez de mananciais já havia sido apontada, desde 1939, pelo Prefeito de Santos, Cyro de Athayde Carneiro. Sob a liderança de Sylvio Rodrigues, contudo, o primeiro sistema de distribuição de água finalmente foi implantado. Financiada pela Prefeitura de Santos, durante a administração de Antônio Feliciano, a rede passou a interligar o reservatório da Colônia de Férias do SESC ao Centro de Bertioga.

A entrada em funcionamento do sistema, em 1954, representou um importante marco para o desenvolvimento do Distrito de Bertioga. Embora o abastecimento ainda se mostrasse insuficiente durante as temporadas de férias, em razão do atendimento simultâneo ao SESC, a iniciativa constituiu o primeiro sistema organizado de abastecimento de água da localidade e marcou o início da implantação do saneamento na região.

O historiador Francisco Martins dos Santos também menciona Sylvio Rodrigues como um dos colaboradores das melhorias promovidas na Rodovia Guarujá–Bertioga. Embora inaugurada em 1940, a rodovia somente recebeu pavimentação asfáltica em 1959. Na época, constituía o principal acesso terrestre à Vila de Bertioga para os veículos procedentes de Santos e da Capital, encerrando-se às margens do Canal de Bertioga, onde a travessia era realizada pelo serviço de balsas.

Nesse período, Bertioga recebeu a visita do Dr. Gabriel Quadros, médico e engenheiro agrônomo, pai do futuro Presidente da República Jânio Quadros. Durante sua permanência na localidade, visitou a Subprefeitura, onde foi recebido por Sylvio Rodrigues. Segundo a imprensa da época, declarou-se encantado com Bertioga e manifestou o desejo de adquirir uma propriedade no distrito para ali passar temporadas.

Em 1954, Sylvio Rodrigues integrou o Subdiretório do Partido Social Democrático (PSD) em Bertioga, exercendo a presidência da agremiação, então integrante da base de apoio do Presidente Getúlio Vargas no Congresso Nacional.

No plano pessoal, em 22 de junho de 1953 foi publicado, na Comarca de Santos, o edital de proclamas de seu casamento com Vitalina Conceição. O documento registra que Sylvio Rodrigues era brasileiro, solteiro, funcionário municipal e residente na Avenida Washington Luiz, nº 76, no 1º Subdistrito de Santos. Vitalina Conceição era médica, residente no Distrito de Bertioga, filha de Francisco Conceição Junior e Yolanda Conceição. Conforme determinava a legislação vigente, o edital destinava-se a dar publicidade ao casamento e possibilitar a apresentação de eventual impedimento legal.

Muito antes de assumir a Subprefeitura, Sylvio Rodrigues já havia deixado sua contribuição para a história local ao projetar e construir, em 1949, o Edifício Sylvia Mara, considerado o primeiro condomínio edificado em Bertioga. Localizado na Rua Irmãos Adorno, nº 53, no Centro, o empreendimento representava um projeto arquitetônico inovador para a época.

Sylvio Rodrigues permaneceu à frente da Subprefeitura de Bertioga até 24 de abril de 1957, encerrando quase quatro anos de administração marcados pela realização de importantes obras públicas e pelo fortalecimento da infraestrutura da então Vila de Bertioga.

Faleceu em 2 de agosto de 1965. Era casado com Vitalina Conceição Rodrigues e deixou duas filhas, Sylvia Mara Conceição Rodrigues e Sandra Lia Rodrigues. Era irmão de Angelo Rodrigues, José Rodrigues, Vitálico Rodrigues, Adalberto Rodrigues, Américo Rodrigues, Orlando Rodrigues, Laurinda Rodrigues Lopes e Lucinda Rodrigues Gil.

Seu sepultamento ocorreu na manhã de 3 de agosto de 1965, com saída do Necrotério da Santa Casa de Santos para a Necrópole de Paquetá.

Vitalina Conceição Rodrigues, médica, esposa de Sylvio Rodrigues (fotos cedidas por sua filha Sandra Lia)

Sylvio Rodrigues (fotos cedidas por Sandra Lia, filha de Sylvio Rodrigues)

Sylvio Rodrigues trabalhando na mesa de desenho. Foto cedida por Sandra Lia, filha de Sylvio Rodrigues.

Registro de Funcionário de Sylvio Rodrigues na Prefeitura de Santos.

Inauguração do sistema de travessia de balsa entre Guarujá e Bertioga. Dia 10 de dezembro de 1954. O Governador do Estado de São Paulo (Lucas Nogueira Garcez), o Prefeito de Santos (Antônio Ezequiel Feliciano da Silva) e Sylvio Rodrigues desfazendo o laço no momento da histórica inauguração que acelerou o desenvolvimento econômico de Bertioga. Foto cedida por sua filha Sandra Lia.

Inauguração do sistema de travessia de balsa entre Guarujá e Bertioga. Foto cedida por Sandra Lia, filha de Sylvio Rodrigues, quando seu pai discursava em cima da plataforma de acesso à balsa, assistido pelo Governador do Estado de São Paulo, pelo Prefeito de Santos, pelo Prefeito do Guarujá, entre outros.

Oficialização do primeiro sistema viário de Bertioga - 1953

O primeiro ato normativo a denominar um logradouro público em Bertioga foi a Lei nº 1137, de 14 de setembro de 1950, que autorizou o Poder Executivo “dar à uma rua, avenida ou praça do Distrito de Bertioga, no Município de Santos, o nome de Armando Lichti”. O local escolhido foi a praça que faz cruzamento com as ruas Irmãos Braga, Irmãos Adorno, João Ramalho, Pascoal Fernandes e Domingos Pires.

Armando Lichti foi cônsul da Venezuela em Santos. Entre as décadas de 1930 e 1940 foi um dos grandes incentivadores dos eventos de resgate à história de Bertioga. Esteve sempre presente nas demandas por melhorias sociais para a população. Instalou a Granja Zilá, uma chácara para fins recreativos, na década de 1940, onde hoje é o Parque dos Tupiniquins. Marido da Professora Alzira Martins Lichti e pai de Fernando Martins Lichti.

Em 1953, pela Lei nº 1460, Santos denomina a rua que contornava a orla do Canal de Bertioga de Avenida Vicente de Carvalho.

Foi em homenagem ao santista Vicente Augusto de Carvalho, que por diversas vezes visitando Bertioga e morando por um curto período no Indaiá, usava com frequência o serviço de travessia de lanchas, instalado em frente à rua que no futuro receberia seu nome.

Vicente de Carvalho

Antes de receber a denominação de Avenida Vicente de Carvalho, o Engenheiro Carlos Lang planejou em 1942 o seu alargamento. O projeto foi executado posteriormente pelo Subprefeito Silvio Rodrigues, entre 1953 e 1954. O alargamento resultou na abertura de ruas de terras largas, com um imponente canteiro central. É nessa época que são plantados os coqueiros no canteiro central. A pavimentação somente foi executada em 1971. Contribuíram para o alargamento da avenida Armando Lichti, a família Besser, Miguel Seiad Bichir, Miguel Arcanjo, entre outros, doando suas propriedades ao Município, tornando possível que o projeto desenvolvido pelo ilustre Engenheiro Carlos Lang fosse executado. Carlos Lang também foi Subprefeito de Bertioga e é conhecido em Santos por ser o Diretor de Obras da Prefeitura, na época em que este órgão criou as “muretas de Santos”, em 1941.

Além da Avenida Vicente de Carvalho, foi no mesmo ato legislativo dada a denominação de outras ruas e avenidas compondo o sistema viário oficial de Bertioga. Assim, a Lei nº 1460, de 1953 oficializou as seguintes ruas e avenidas:

Rua Dr. Julio Prestes

Graduado pela Faculdade de Direito de São Paulo, foi Governador do Estado de São Paulo e Presidente da República eleito, mas impedido de tomar posse em razão da Revolução de 1930.

Rua da Saudade

É a antiga rua que dá acesso ao cemitério inaugurado em 1935.

Rua Irmãos Braga

Refere-se aos cinco filhos de Diego de Braga, primeira família de brasileiros a residir em Bertioga e construtores da fortificação de 1547, dando origem ao povoado de Bertioga. Eram filhos de Diego de Braga: João de Braga, Diogo de Braga, Domingo de Braga, Francisco de Braga e André de Braga.

Rua Irmãos Adorno

Diz respeito aos irmãos José Adorno, Francisco Adorno, Antônio Adorno, Rafael Adorno e Paulo Adorno. Era uma família de nobres genoveses. Foi a esquadra de Martim Afonso de Sousa que em 1530, a caminho do Brasil, passando pela Ilha da Madeira, embarca os irmãos Adorno, por ordem do Rei de Portugal. Eram especialistas no cultivo e beneficiamento da cana-de-açúcar. Sabiam administrar engenhos. Eram ricos e muito contribuíram para o desenvolvimento da região, entre as décadas de 1530 e 1560. José Adorno construiu a Ermida de Santo Antônio do Guaíbe e teve participação efetiva no fornecimento de embarcações para o Armistício de Iperoig e na expulsão dos franceses da Baía de Guanabara para fundação do Rio de Janeiro, em 1565. Antônio Adorno foi nomeado por ordem oficial do Governador Geral Thomé de Sousa, em 1550, Almoxarife (Administrador/Governador) da fortificação de Bertioga, possivelmente referindo-se a uma casa-forte mencionada por Hans Staden, que ficava onde futuramente seria erguido o Forte São Felipe/São Luís, na Ilha de Santo Amaro. Na história de Bertioga destacam-se José Adorno e Antonio Adorno, mas os demais irmãos e até mesmo netos foram patrocinadores de grandes ações da Coroa Portuguesa nas Capitanias de São Vicente e Santo Amaro.

Rua Domingos Pires

Português, um dos primeiros colonos proprietários de terras na Vila de Santos. É possível que em meados do século XVI tenha tentado estabelecer agriculturas em Bertioga para abastecimento das Vilas de Santos e São Vicente, mas que logo foram abandonadas, motivado pela violência dos ataques dos Tupinambás.

Rua Pascoal Fernandes

Português, viveu com sua família no Forte São Felipe (Forte São Luís), onde foi o chefe de artilharia na década de 1560. Trabalhou quando as duas fortificações estavam com as obras concluídas, em perfeito estado de conservação. Recebeu a concessão das terras que compreendiam as duas fortificações e o trecho de praia de Bertioga até São Sebastião.

Rua Pero Góes

Nobre português que acompanhava a esquadra de Martim Afonso de Sousa. Foi designado como responsável pela expulsão do Bacharel Mestre Cosme Fernandes de São Vicente. Dois anos depois, comandou a resistência ao ataque promovido por espanhóis à Vila de São Vicente. Pelos serviços prestados à Coroa Portuguesa, o donatário da Capitania de São Vicente, Martim Afonso de Sousa, doou as terras que hoje formam Cubatão à Pero de Góes, em 15/10/1532.

Rua Jorge Ferreira

Foi Capitão-mor da Capitania de São Vicente, de 1556 até 1558 e de 1567 a 1572. Também foi Capitão-Mor da Capitania de Santo Amaro, de 1542 a 1557.

Rua Santa Cruz

Nome dado em homenagem a “santa cruz” da Igreja Católica. É o principal símbolo religioso do cristianismo, porque representa a estrutura usada para a crucificação de Jesus Cristo.

Rua Capitão Morais

Francisco de Morais, foi Capitão-mor da Capitania de São Vicente, de 1558 até 1561.

Rua Gonçalo da Costa

Nobre português, nasceu em 1490 e viveu em São Vicente de 1510 a 1532, casado com uma das filhas do Bacharel Mestre Cosme Fernandes.

Rua Pires Cubas

João Pires Cubas, português, pai de Brás Cubas, veio para o Brasil para cultivar as terras recebidas pelo seu filho. Veio antes dele, em 1537, e Brás Cubas chegou ao Brasil, vindo de Portugal, em dezembro de 1540. Os historiadores revelam que João Pires Cubas era um agricultor instalado inicialmente em Santos, mas pelos constantes ataques dos Tamoios, logo se mudou para São Vicente. O seu filho, Brás Cubas, é considerado o fundador de Santos.

Rua Aleixo Garcia

Foi um navegador e explorador português que em 1524 organizou uma expedição que partiu do Porto de Patos, em Santa Catarina, em direção ao alto do Peru, para saquear as riquezas da civilização Inca. Achou o que procurava, mas no caminho de volta pelo Rio Paraguai, foram atacados e mortos pelos violentos Paiaguás, inclusive o próprio Aleixo Garcia. Canoeiros por excelência, repeliam todos que passavam por suas terras. Essa rota descoberta por Aleixo Garcia foi posteriormente utilizada, sem êxito, por Martim Afonso de Sousa.

Avenida Anchieta

Em homenagem ao Padre José de Anchieta, responsável pela catequização dos Tupiniquins e pela tentativa de estabelecer a paz entre os portugueses e os Tupinambás. José de Anchieta foi uma das pessoas mais importantes do Brasil, nas décadas de 1560 e 1570. Teve um papel estratégico na colonização. Trabalhou para que nenhum indígena fosse escravizado. Entretanto, alguns autores hoje discutem que a catequização eliminou a cultura indígena ao impor como verdade a cultura do europeu. Além disso, o acordo de Iperoig, do qual participou José de Anchieta, foi descumprido pelos portugueses e os Tamoios/Tupinambás foram exterminados.

Rua Mestre Pessoa

A Câmara Municipal de Santos, a Prefeitura de Santos e a Fundação Arquivo e Memória de Santos não conseguiram localizar o processo administrativo que deu origem ao nome das ruas, para que fosse possível entendermos os motivos apresentados na época para esta homenagem. Segundo o Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente “Mestre Pessoa” é o “Cosme Mestre Pessoa”, conhecido como o Bacharel de Cananéia “Mestre” Cosme Fernandes “Pessoa”. Era um degredado, condenado por algum crime grave em Portugal e banido para o Brasil. Uma das teorias é que foi deixado em Cananéia por Gaspar de Lemos e Américo Vespúcio na expedição exploradora de 1501. O Bacharel, por volta de 1510, invadiu o primitivo povoado de São Vicente, onde construiu um estaleiro e um porto de tráfico de escravos indígenas, tornando São Vicente o maior abastecedor da costa brasileira, especialmente dos navegadores que se dirigiam para o sul. Martim Afonso de Sousa, chegando para colonizar o Brasil, investido por Dom João III de todos os poderes, trazia a determinação de expulsar “Mestre Pessoa” de São Vicente, para instalar ali a sede do governo do Brasil. Foi na “Barra de Bertioga”, no “sítio de Bertioga”, onde atualmente está o Forte São João e o Parque dos Tupiniquins, que Martim Afonso de Sousa realizou a “Conferência de Bertioga”, no ano de 1531, com a presença de João Ramalho e Antonio Rodrigues (moradores de São Vicente), transmitindo a ordem real de expulsão de “Mestre Pessoa” (o Bacharel) de São Vicente e seu retorno à Cananéia com toda a família e agregados, para que em seguida fosse fundada, oficialmente, a Vila de São Vicente, o que ocorreu em janeiro de 1532.

Rua João Ramalho

Nasceu em Portugal, em 1493, vindo a falecer em São Paulo em 1580. João Ramalho era um aventureiro português, que vivia entre os índios Tupiniquins. Foi designado por Martim Afonso de Sousa em 1531 para defender a entrada da Barra de Bertioga, protegendo a recém fundada Vila de São Vicente. Também atuou com Antonio Rodrigues nas negociações realizadas em Bertioga para a expulsão do Bacharel de Cananéia do povoado de São Vicente. João Ramalho apresentava-se como uma espécie de liderança, acolhida pela Coroa Portuguesa, com grande participação na expansão da região. Os indígenas inimigos, quando capturados, os vendia aos portugueses como escravizados.

Rua Capitão Pedroso

É Luís Pedroso de Barros, um bandeirante que em 1640, atendendo aos apelos que vinham de Salvador, na Bahia, reuniu um batalhão que foi até aquele local repelir os ataques holandeses.

Rua Gabriel Garcez

Gabriel Fernandes Garcez era na década de 1930 o morador mais antigo da Vila. Ele foi pescador e proprietário de alguns terrenos adjacentes ao atual Parque dos Tupiniquins (Forte São João).

Avenida Tomé de Souza

Militar e político português. Primeiro Governador Geral do Brasil, exercendo esse cargo de 1549 a 1553. Foi Tomé de Souza quem nomeou em 1550 Antonio Adorno como Almoxarife da fortificação de Bertioga. Na sua gestão houve a contratação de Hans Staden em 1553 para que trabalhasse como artilheiro na casa forte onde depois foi construído o Forte São Felipe/São Luís. Em 1º de junho de 1553 Tomé de Souza escreve carta ao Rei de Portugal, Dom João III, relatando as realizações que fez pelas Capitanias brasileiras durante sua administração como governador. Nesta carta ele comenta sobre a Vila de Bertioga, mencionando que o Rei havia mandado fazê-la e ele cumpriu essa providência e ainda realizou melhoramentos. É comum registros históricos de diferentes origens citarem Tomé de Souza com outra grafia, como Thomé de Sousa. A lei municipal escreveu como Tomé de Souza.

Rua Estevão da Costa

Cunhado de Martim Afonso de Sousa. Era proprietário das terras onde José Adorno construiu na década de 1560 a Ermida de Santo Antônio do Guaíbe.

Rua Rafael Costabile

Foi um expressivo empresário que instalou em Bertioga no ano de 1941 o “Lido Hotel”, que ficava localizado na Avenida Tomé de Souza, na esquina com a citada Rua Rafael Costabile. Também foi um importante investidor imobiliário e incentivador do desenvolvimento de Bertioga.

Rua Antonio Rodrigues de Almeida

Nobre português, que veio na esquadra de Martim Afonso de Sousa, tornando-se, posteriormente, o Comandante da Capitania de Santo Amaro, ficando responsável por coordenar a construção do Forte São Thiago/Forte São João.

Rua Bartolomeu Fernandes Gonçalves

Foi o Mestre Ferreiro Bartolomeu Fernandes, português que chegou em São Vicente com a esquadra de Martim Afonso de Sousa, em 1532, contratado pela Coroa Portuguesa, por dois anos, para a execução dos serviços e obras de ferro da armada e dos seus integrantes. Prestou valiosos serviços na fundação de Santos e depois se mudou para Piratininga (São Paulo). Lá passou a produzir diversos artefatos de ferro. Montou uma oficina de forja no Jurubatuba, segundo mencionou José de Anchieta, em 1554. Ficou conhecido pela lenda de ter construído um abrigo subterrâneo em Santos, que em 1590, quando já tinha falecido, foi usado pelo seu filho para salvar a população de Santos do ataque do pirata Francis Cook. Teria falecido em 1566.

Rua Henrique Montes

Era o Provedor dos Mantimentos da Armada de Martim Afonso de Sousa. Chegou à São Vicente em 1532.

Rua Francisco Pinto

Cavaleiro fidalgo, um dos mais nobres portugueses que integravam a esquadra de Martim Afonso de Sousa, aportando em São Vicente em 1532.

Rua Francisco Chaves

Casado com uma das filhas do Bacharel Mestre Cosme Fernandes, foi designado por Martim Afonso de Sousa como guia de uma expedição ao Paraguai, para encontrar e trazer os tesouros do povo Inca (01/09/1531). A expedição foi comandada pelo capitão Pero Lobo Pinheiro. Nenhum deles retornou. Foram atacados e mortos por nativos. Martim Afonso de Sousa decide fazer pessoalmente uma nova expedição (26/09/1531). Após naufrágios e perder vários homens, retorna para o litoral de São Paulo.

Rua Duque de Caxias

Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, viveu de 1803 a 1880. Foi um militar brasileiro. No dia 25 de agosto, data de seu nascimento, comemora-se o “Dia do Soldado”. É o patrono do Exército brasileiro. Considerado com um grande herói na pacificação das diversas revoltas que eclodiram no Brasil após a Proclamação da Independência. Destacou-se na Guerra do Paraguai (1864/1870) ao ser nomeado, com 63 anos de idade, para o comando geral das tropas.

Rua General Osório

Manuel Luís Osório, o General Osório, é o patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro. Aos 14 anos participou da guerra de independência do Brasil (1822/1823), combatendo as tropas do Exército português na Província Cisplatina. Lutou na Guerra dos Farrapos (1835/1845) e nas campanhas platinas, incluindo a Guerra contra Oribe e Rosas, em 1851. Na Guerra do Paraguai (1864/1870), recebeu o comando do Exército brasileiro, vindo a se destacar como um dos grandes comandantes brasileiros, sobretudo na Batalha de Tuiuti. Com o fim da Guerra do Paraguai, foi eleito Senador pela Província do Rio Grande do Sul e, posteriormente, nomeado Ministro da Guerra. Em 1877, tornou-se Marechal de Exército.

Rua Dr. Rodrigues Alves

Francisco de Paula Rodrigues Alves, graduado pela Faculdade de Direito de São Paulo, foi Senador e Conselheiro do Império. Governou o Estado de São Paulo de 1887 a 1888, de 1900 a 1902 e de 1912 a 1916. Foi Presidente da República de 1902 a 1906.

Avenida Manoel da Nobrega

Essa via pública é em homenagem ao Padre Manoel da Nóbrega (ou Manuel da Nóbrega), que foi provincial da Companhia de Jesus, cargo de maior hierarquia. Em Bertioga, acompanhou José de Anchieta na pacificação dos Tupinambás, por meio do acordo de Iperoig, permanecendo hospedado no Forte São Thiago (Forte São João) por alguns dias antes da missão. Também esteve presente na armada organizada por Estácio de Sá para expulsão dos franceses da Baía de Guanabara, sendo responsável pela missa realizada na Capela de São Thiago (dentro do quartel do Forte) e depois benzendo as embarcações que partiriam em direção ao Rio de Janeiro, em 1565.

Sistema de abastecimento de água potável - 1954

Na inauguração do posto médico da Cruz Vermelha, em 1939, o Prefeito de Santos Cyro de Athayde Carneiro disse ter dado ordens para que fossem feitos estudos técnicos especializados para o abastecimento de água potável em Bertioga, pois era esse um problema de grande dificuldade, dada a escassez de mananciais no local.

Entre 1951 e 1953, com recursos do orçamento da Prefeitura de Santos, foi implantada uma rede de distribuição de água que ligava o reservatório da Colônia de Férias do SESC até o Centro de Bertioga, abastecendo parcialmente a Vila. Esse sistema entrou em funcionamento em 1954. Acontece que durante a temporada de férias, o sistema era deficitário, pois somente tinha capacidade para atender o próprio SESC. Esse serviço foi autorizado pela Lei nº 1.565/53, de autoria de Antônio Feliciano, Prefeito de Santos. Nessa mesma lei a Prefeitura de Santos foi autorizada a cobrar pela ligação, religação e fornecimento de água, de acordo com os preços fixados em tabela.

No dia 29 de julho de 1969 o Governador do Estado de São Paulo Abreu Sodré esteve em Bertioga para inaugurar a nova adutora. As obras foram realizadas pelo Governo do Estado. A adutora captava água do Ribeirão das Furnas, onde foi construída uma barragem de 30 metros de comprimento, 1,60 metro de altura e 1,00 metro de largura. A capacidade de captação era de 22 litros por segundo. Os serviços de saneamento passaram a ser executados pela Companhia de Saneamento da Baixada Santista – SBS.

O pequeno obelisco, com cerca de um metro de altura, localizado na Avenida Vicente de Carvalho e em frente a sede da Subprefeitura de Bertioga. Foi instalado em 1969 na visita do Governador Abreu Sodré para a inauguração da nova adutora. Foto do jornal “Cidade de Santos”, do ano de 1969.

No dia 12 de fevereiro de 1971 o Governador Abreu Sodré retorna a Bertioga, para uma vistoria de entrega ou inauguração, sem cerimônia, do reservatório de água localizado na Rua Vasco da Gama (a caixa d’água). É um reservatório elevado de concreto armado com capacidade para armazenar 250 mil litros de água. Com isso, seria possível atender 9.500 pessoas, o triplo da população de Bertioga na época.

Em 1979 houve uma expansão da rede e em 1980 novas obras de ampliação foram realizadas na caixa d’agua da Rua Vasco da Gama. Depois, os serviços de abastecimento de água foram assumidos pela SABESP.

O Governador Abreu Sodré, de óculos e calça branca, em 12/02/1971. Chegou por volta de 10:00 da manhã, de helicóptero, em frente à Escola Vicente de Carvalho (atual Casa da Cultura). Ele ficou menos de uma hora em Bertioga. Foi direto vistoriar o reservatório da Rua Vasco da Gama, partindo dali para o Guarujá para outros compromissos. Dentre os servidores municipais que o receberam, é possível reconhecer Hélcio Gonçalves Cunha, que foi Administrador Regional interino, Diretor de Administração, Presidente do Lions Club, além de marido da Professora Bene.
O Governador Abreu Sodré, de óculos e calça branca, vistoriando o reservatório da Rua Vasco da Gama. Foto de 12/02/1971
O Governador Abreu Sodré vistoriando o reservatório da Rua Vasco da Gama. Foto de 12/02/1971

O serviço de travessia de balsa - 1954

O serviço de travessia de balsa, ligando o Guarujá até Bertioga, foi implantado e inaugurado pelo Governo do Estado de São Paulo em 10 de dezembro de 1954, mas o serviço de lanchas para travessia de passageiros entre Bertioga e Santos ainda permaneceu ativo por muitos anos.

Em 1948, o engenheiro Francisco Prestes Maia, no âmbito de seus estudos para o Plano Regional de Santos, já previa a utilização de uma balsa em Bertioga como parte do sistema de ligação terrestre do litoral. Posteriormente, em 1952, o Prefeito de Santos, Joaquim Alcaide Valls, solicitou ao Governo do Estado, então chefiado por Lucas Nogueira Garcez, as providências necessárias para estabelecer a ligação por ferry-boat entre Guarujá e Bertioga.

A implantação do serviço exigiu não apenas a disponibilização das embarcações, mas também a construção e adequação das estruturas necessárias à atracação e ao embarque dos veículos em Bertioga, além de melhorias na estrada que fazia a ligação com o Guarujá.

Compareceu à cerimônia de inauguração o próprio Governador do Estado, Lucas Nogueira Garcez. Ele estava acompanhado da seguinte comitiva: Nilo de Andrade Amaral (Secretário da Viação e Obras Públicas), Plínio Cavalcanti (Secretário de Segurança Pública), Antônio Ponzio Hipólito (Diretor de Obras Sanitárias), Joaquim Alcaide Valls (ex-Prefeito de Santos e Diretor da Divisão de Saneamento Urbano) e Oswaldo Feliciano (ajudante de ordens do Governador).

O Governador foi recebido pelo Prefeito de Santos, Antônio Ezequiel Feliciano da Silva, pelo Prefeito do Guarujá, João Torres Leite Soares, e por Gustavo Martini (Presidente da Câmara Municipal de Santos), Adhemar de Figueiredo Lira (Diretor do Fórum de Santos), Dom Idílio José Soares (Bispo de Santos), dentre outras autoridades.

Primeiro houve a inauguração de novas embarcações para o sistema Santos–Guarujá e, posteriormente, a comitiva seguiu em diversos automóveis pela estrada Guarujá–Bertioga até chegar à ponte de atracação da balsa. Ali, o Governador e sua comitiva foram recebidos por Sylvio Rodrigues, Subprefeito de Bertioga. A travessia inaugural foi realizada por uma das barcaças do novo sistema, conduzindo autoridades até o lado de Bertioga.

No cais de Bertioga realizou-se o ato oficial de inauguração. A documentação fotográfica da época registra o corte da fita inaugural e a presença das autoridades que participaram da primeira travessia. Uma legenda publicada pelo jornal A Tribuna registra, inclusive, Antônio Feliciano e o engenheiro Nilo Amaral no momento do corte da fita inaugural do cais do ferry-boat de Bertioga, enquanto outra fotografia mostra, em uma das barcaças da travessia inaugural, Artur Rivau, major Luiz De Cicco, deputado Luiz Roberto Vidigal, Nilo Amaral, Joaquim Alcaide Valls, Antônio Feliciano e Sylvio Rodrigues.

No terreno junto ao cais, onde posteriormente seriam implantados os jardins, foi erguido um marco inaugural de concreto contendo uma placa de bronze, destinado a perpetuar a realização. A placa registrava o nome do Governador Lucas Nogueira Garcez e de autoridades relacionadas à implantação do empreendimento, além de uma mensagem alusiva ao significado histórico da nova ligação de Bertioga com o restante do litoral.

A existência desse marco e de sua inscrição encontra confirmação particularmente importante na própria cobertura jornalística das solenidades. Durante o almoço realizado na Colônia de Férias do SESC, o deputado estadual Luiz Roberto Vidigal, então presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, fez referência expressa às palavras gravadas no “marco inaugural erguido nos cais”. Ao destacar a importância do novo ferry-boat para Bertioga e para o desenvolvimento daquele trecho do litoral paulista, o deputado reproduziu os seguintes dizeres:

“Há quatrocentos anos esta canoa separava Bertioga no Brasil. Agora, no governo do sr. Lucas Nogueira Garcez, esse ‘ferry boat’ que abriu esse belíssimo canto da natureza a todos os brasileiros, vem ligar, não apenas Bertioga ao Brasil, mas duas épocas da nossa história litorânea.”

A inscrição conferia ao monumento um significado que ultrapassava a simples comemoração da implantação de um serviço de transporte. O marco procurava simbolizar a passagem entre duas épocas da história de Bertioga: de um lado, a antiga travessia do Canal, durante séculos dependente de pequenas embarcações; de outro, a implantação de uma ligação capaz de transportar veículos e estabelecer continuidade ao sistema rodoviário que chegava até as margens do Canal de Bertioga.

A placa de bronze constituía, portanto, o registro material da inauguração, enquanto seus dizeres procuravam conferir à obra um sentido histórico de integração territorial. A referência feita por Luiz Roberto Vidigal no próprio dia da solenidade é especialmente relevante porque documenta contemporaneamente a existência do marco e preserva parte de sua inscrição, mesmo que as fotografias atualmente disponíveis da placa não permitam a leitura integral e segura de todos os nomes e dizeres nela gravados.

O Governador regressou à Capital, mas algumas autoridades do Estado permaneceram para as demais cerimônias. O mau tempo havia levado Lucas Nogueira Garcez a antecipar as travessias inaugurais originalmente programadas para as 10 horas. Em razão de compromissos em São Paulo, o Governador deixou Bertioga e passou a ser representado nas demais solenidades pelo Secretário da Viação e Obras Públicas, Nilo de Andrade Amaral.

Foi servido no Hotel Umuarama um coquetel de boas-vindas. Na sequência, houve um grande almoço na Colônia de Férias do SESC, onde foram realizados vários discursos de agradecimento ao Governo do Estado. A recepção foi promovida pela Subprefeitura de Bertioga e pela Colônia de Férias do SESC.

Durante o almoço, Luiz Roberto Vidigal destacou a importância do novo sistema de travessia para o desenvolvimento daquele trecho do litoral paulista. A inauguração era compreendida, naquele momento, não apenas como a implantação de um novo serviço de transporte, mas como um acontecimento capaz de integrar Bertioga às demais localidades e ampliar significativamente suas possibilidades de desenvolvimento e de exploração turística. O Prefeito Antônio Feliciano também manifestou publicamente o agradecimento da população santista ao Governo do Estado pela realização da obra.

Grandes mudanças estavam por vir. Em mais de quatrocentos anos de história, pela primeira vez a Vila estava se conectando com as cidades vizinhas por meio de uma ligação rodoviária que permitia a continuidade da viagem de automóvel através do Canal de Bertioga. Até então, o Canal representava uma barreira física à continuidade da ligação terrestre. Com a implantação do ferry-boat, os veículos que percorriam a estrada Guarujá–Bertioga passaram a contar com um sistema regular de transposição do canal, estabelecendo uma nova forma de acesso à Vila.

A imprensa da época atribuiu significado histórico à inauguração. O ferry-boat era apresentado como uma obra destinada a abrir Bertioga para uma nova etapa de sua história, aproximando-a de Santos, São Paulo e das demais localidades do litoral. Havia, inclusive, a expectativa de que o avanço das ligações rodoviárias possibilitasse futuramente a comunicação terrestre com São Sebastião.

A balsa foi instalada a poucos metros da “venda” de João Sabino Abdalla, o que também contribuiu para os negócios dele e dos demais comerciantes, diante do grande número de veículos e pessoas circulando pelo centro da Vila. A implantação do serviço modificou, assim, não apenas as condições de transporte e acesso a Bertioga, mas também sua dinâmica cotidiana, aumentando a circulação de automóveis, visitantes e mercadorias em uma localidade que, até então, permanecia geograficamente mais isolada.

Do lado do Guarujá, é neste local primitivo que foi implantado em 1954 o atracadouro de acesso ao serviço de balsa entre Guarujá e Bertioga. Do outro lado do Canal, está a Vila de Bertioga na década de 1950.

Obras de terraplenagem do atracadouro da balsa. Caminhão da Subprefeitura de Bertioga. Nessa época, o Mestre de Obras da Prefeitura de Santos lotado em Bertioga era Deolindo Fernandes Lisboa.

Obras de implantação do sistema de travessia de balsa entre Guarujá e Bertioga. Foto cedida por Sandra Lia, filha de Sylvio Rodrigues (1954).

Obras de implantação do sistema de travessia de balsa entre Guarujá e Bertioga. Foto cedida por Sandra Lia, filha de Sylvio Rodrigues (1954).

Governador do Estado de São Paulo: Lucas Nogueira Garcez

Engenheiro Francisco Prestes Maia, que propôs a instalação do serviço de travessia de balsa no seu Projeto de Desenvolvimento Regional de Santos.

Joaquim Alcaide Valls, Prefeito de Guarujá entre 1951 e 1952, foi quem requereu ao Governador do Estado a instalação do serviço de balsa.

Antônio Ezequiel Feliciano da Silva, Prefeito de Santos entre 1953 e 1957, acompanhou as obras em Bertioga realizadas pela administração do distrito que urbanizaram o sistema de acesso e embarque às balsa.

Sylvio Rodrigues, Subprefeito de Bertioga na época da instalação do serviço de balsa, quando foram executadas obras de terraplenagem e a instalação do sistema de acesso ao atracadouro da balsa.

Do lado do Guarujá, a inauguração do sistema de travessia de balsa. O Secretário de Estado da Viação e Obras Públicas de São Paulo Engenheiro Nilo Amaral e o Prefeito de Santos desfazem o laço enquanto são observados no centro pelo Prefeito do Guarujá.

Jornal “O Estado de S. Paulo” – Foto do dia da inauguração do sistema de travessia entre Guarujá e Bertioga, registrando o momento em que a balsa chegava a Bertioga transportando a comitiva de autoridades. A estrutura de atracação aparenta estar desalinhada ou inclinada; contudo, não foi possível identificar com precisão nem estudar as características da estrutura específica utilizada naquele período.

Inauguração do sistema de travessia de balsa entre Guarujá e Bertioga. Foto cedida por Sandra Lia, filha de Sylvio Rodrigues. A comitiva quando chegava de balsa do lado de Bertioga. Detalhe para a fita de inauguração.

Do lado de Bertioga, inauguração do sistema de travessia de balsa. Dia 10 de dezembro de 1954. O Governador do Estado de São Paulo (Lucas Nogueira Garcez) cortando o laço, observado pelo Prefeito de Santos (Antônio Ezequiel Feliciano da Silva) e pelo Subprefeito de Bertioga, Sylvio Rodrigues. Foto cedida por sua filha Sandra Lia.

Inauguração do sistema de travessia de balsa entre Guarujá e Bertioga. Foto cedida por Sandra Lia, filha de Sylvio Rodrigues, quando seu pai discursava em cima da plataforma de acesso à balsa. Do lado esquerdo da foto está o Governador do Estado, mas o fotógrafo cortou parcialmente a imagem, seguido pelo Prefeito de Santos e pelo Prefeito do Guarujá.

Inauguração do sistema de travessia de balsa entre Guarujá e Bertioga. A fita de inauguração já estava cortada. Esta foto foi cedida por Sandra Lia, filha de Sylvio Rodrigues, quando seu pai discursava em cima da plataforma de acesso à balsa, ouvido com atenção e empatia pelo Governador do Estado de São Paulo, que está com as “mãos cruzadas” do lado esquerdo do Prefeito de Santos (o de menor estatura, no centro da imagem); do lado direito do Prefeito de Santos, de terno branco, com os “braços cruzados”, está o Prefeito do Guarujá.

Almoço da comitiva no SESC Bertioga. Discursaram: Luís Roberto Vidigal (Deputado Estadual), Antônio Feliciano (Prefeito de Santos) e o Engenheiro Nilo Amaral (Secretário de Estado da Viação e Obras Públicas de São Paulo).

No dia 10 de dezembro de 1954 também foi inaugurado o marco comemorativo da instalação do serviço de balsa. Era uma placa de bronze que aparece nas imagens em dois momentos, em 1954 (imagem em preto e branco recriada por IA) e em 2015 (foto original colorida do Jornal Costa Norte). Não existem fotos das autoridades descerrando a placa, mas a existência do monumento foi relatada no Jornal A Tribuna de Santos de 11 de dezembro de 1954. Constava da placa a data e o nome das autoridades, além dos seguintes dizeres: “Há quatrocentos anos esta canoa separava Bertioga no Brasil. Agora, no governo do sr. Lucas Nogueira Garcez, esse ‘ferry boat’ que abriu esse belíssimo canto da natureza a todos os brasileiros, vem ligar, não apenas Bertioga ao Brasil, mas duas épocas da nossa história litorânea.” A placa era um testemunho da história de Bertioga. Porém, atualmente, o monumento está sem a placa, pois foi furtada, abandonada ou a história foi esquecida.

Transcrição literal da nota do jornal A Tribuna de Santos sobre as duas imagens acima: “No clichê, ao alto, e à esquerda, o momento em que o dr. Antônio Feliciano e o engenheiro Nilo Amaral, cortavam a fita inaugural do cais do “Ferry-boat” da Bertioga, já do lado daquele sub-distrito de Santos. À direita, flagrante batido em uma das barcaças que fizeram a travessia inaugural, vendo-se, da esquerda para a direita, os srs. Artur Rivau, major Luiz De Cicco, deputado Luiz Roberto Vidigal, Nilo Amaral, Alcaide Vals, Antônio Feliciano e Silvio Rodrigues.”

A primeira casa de comércio de materiais de construção - 1955

A “Mazzoni e Cia Ltda” foi fundada em 30 de dezembro de 1955 por Coriolano Mazzoni. Era a primeira loja de materiais de construção de Bertioga, instalada na Avenida Vicente de Carvalho, nº 28, na antiga casa ocupada por João Cesário Bichir e depois por João Sabino Abdalla.

A empresa era administrada pelo filho de Coriolano Mazzoni, Licurgo Mazzoni e contou com diversos funcionários, que trabalhavam com todos os tipos de materiais de construção civil, tal como areia, pedra, equipamentos de elétrica e hidráulica, além de ferramentas.

Essa casa de materiais de construção era popularmente conhecida apenas como “Mazzoni”, mas em 19 de maio de 1983 recebe oficialmente a denominação de Casa de Ferragens Viga Mestra Ltda, tendo como sócios Licurgo Mazzoni e seu filho Fábio Mazzoni.

A loja se tornou referência na cidade por décadas, responsável pelo fornecimento de todos os materiais de construção empregados nas obras particulares até o final da década de 1980.

Em 1992 Fábio Mazzoni assume a administração da Viga Mestra.

A Mazzoni e Cia Ltda (Viga-Mestra) à esquerda, em fase de ser inaugurada, e a “venda” de João Sabino Abdalla à direita – Foto de 1951.

A Viga-Mestra, em foto de 1985. De camisa vermelha, na frente da loja, está Licurgo Mazzoni.

Banda Padre Celso em Bertioga – 1955/1959

A Banda Padre Celso, também conhecida como Banda do Padre Celso, recebe o nome em homenagem ao monsenhor Celso Diogo Ferreira (1903-1998), dirigente da banda infantil. Era regida pelo maestro Álvaro Filgueiras (1901-1989), músico carioca que ficou nessa função entre as décadas de 1940 e 1960.

A banda se apresentou em Bertioga, pela primeira vez, em 1955. há registros que também esteve em Bertioga em 1959. A banda visitava diversas cidades do litoral paulista, apresentando-se, além de Bertioga, em Santos, São Vicente e Guarujá.

Os menores integrantes da banda pertenciam ao Lar São Nicolau, de Avaré. Essa instituição recolhia os pequenos órfãos oferecendo-lhes toda a assistência, preparando-os para a vida profissional.

A banda tinha um vastíssimo repertório, com grande versatilidade, executando a música popular de modo brilhante assim como a música clássica. Por inúmeras vezes, Dulce Bittencourt Abdalla e Elizabete Bittencourt Abdalla me contaram com saudades da expectativa que se formava na Vila de Bertioga para a chegada da Banda Padre Celso, em razão da enorme admiração e reconhecimento que a população tinha pelo espetáculo musical apresentado pelos jovens.

Na década de 1950, as bandas marciais escolares e fanfaras estudantis no Brasil costumavam tocar um repertório patriótico, cívico e popular, misturando dobrados militares, hinos oficiais e músicas populares da época que se adaptavam bem a arranjos de metais e percussão. Destaque para “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso; “Brasil Pandeiro”, de Assis Valente; e “Carinhoso”, de Pixinguinha e João de Barro.

Banda do Padre Celso, na escadaria do Santuário de Nossa Senhora das Dores (Avaré), em fotografia do acervo pessoal da família de João Sabino Abdalla, colorizada por Jamilson Lisboa Sabino

Maestro Álvaro Figueiras (1901-1989)            

Padre Celso Diogo Ferreira (1903-1998)

Guia do conteúdo

ALERTA!

Jamilson Lisboa Sabino tem os direitos autorais desse site, mediante compromissos legais assumidos perante a Universidade de São Paulo (USP), a Fundação Arquivo e Memória de Santos e o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. A violação dos direitos autorais, com reprodução dos textos, imagens e fotos pode configurar o crime previsto no artigo 184, do Código Penal.