Bertioga na Geografia da Província de São Paulo - 1862
Em 1862, foi publicada a obra Geographia da Província de S. Paulo, de autoria do brigadeiro José Joaquim Machado de Oliveira, destinada ao ensino nas escolas da província e impressa por determinação do presidente provincial, João Jacinto de Mendonça. O documento constitui um importante registro histórico e geográfico do território paulista durante o período imperial, apresentando informações sobre o litoral, as serras, os rios, os portos e as povoações existentes naquela época.
Brigadeiro José Joaquim Machado de Oliveira, autor da obra Geographia da Província de S. Paulo, publicada em 1862, na qual apresenta importantes registros históricos e geográficos sobre Bertioga, incluindo seu porto, sua enseada, o canal e as ruínas da antiga armação baleeira. Fotografia de Militão Augusto de Azevedo (1837–1905), século XIX, produzida em papel albuminado. Acervo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP), Coleção Militão Augusto de Azevedo.
Ao descrever o litoral paulista, o autor fez diversas referências a Bertioga, especialmente às suas características geográficas e às condições de navegação. Identificou o Morro da Enseada como a elevação mais alta e mais projetada em direção ao mar na extremidade norte da Enseada de Bertioga. Na extremidade sul, mencionou o Morro da Paciência, situado na Ilha de Santo Amaro, registrando que, ao seu sopé, encontrava-se em ruínas a antiga Armação da Bertioga, estabelecimento ligado à atividade de pesca de baleias. O Morro da Paciência fica na entrada da Barra de Bertioga. Era denominado assim naquela época, mas pouco conhecido por esse nome atualmente.
A Enseada de Bertioga foi descrita como uma área compreendida entre os morros da Enseada e da Paciência, oferecendo boas condições de ancoragem em períodos de mar calmo. O autor também mencionou o Porto de Bertioga, situado na extremidade nordeste da Ilha de Santo Amaro, atribuindo-lhe profundidade de 50 palmos na maré baixa e 55 palmos na maré alta.
Outro registro importante refere-se ao atual Canal de Bertioga, denominado na obra de “rio da Bertioga”. Machado de Oliveira descreveu seu percurso desde a região do porto de Santos até a Enseada de Bertioga, contornando a face norte da Ilha de Santo Amaro e estabelecendo comunicação com o sistema de águas do estuário santista.
Ao descrever a hidrografia da região, Machado de Oliveira mencionou os rios São João e Pilões e o Ribeirão Furada, que desaguavam no chamado Rio da Bertioga, atual Canal de Bertioga. O autor identificou ainda quatro afluentes do Rio Pilões, utilizando suas antigas denominações: Tapinhoan (Itapanhaú), Acarahu (Acaraú), Utinga (Itatinga) e Javacoára (Jaguareguava). O registro, publicado em 1862, constitui uma importante referência documental para o estudo da hidrografia histórica de Bertioga e das transformações na nomenclatura de seus cursos d’água.
Publicada em 1862, a obra de José Joaquim Machado de Oliveira constitui uma valiosa fonte documental para a história de Bertioga no século XIX, especialmente por registrar a configuração geográfica de seu litoral, as condições naturais de seu porto, a denominação histórica do canal e a existência das ruínas da antiga armação baleeira.
Fonte: OLIVEIRA, José Joaquim Machado de. Geographia da Província de S. Paulo. São Paulo: Typographia Imparcial de J. R. de A. Marques, 1862, pp. 28, 31–32, 35 e 62.